• Festival Nacional de MPB de Ilha Solteira

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Mauro Alvarenga vence o 3º Festival de MPB em 1974

Quando Ilha Solteira ainda dava seus primeiros passos, uma iniciativa surgida no ambiente educacional da cidade começava a escrever uma das mais duradouras histórias de sua cultura.

Em 1971, foi realizado o 1º Festival Estudantil de Música Brasileira de Ilha Solteira, origem do atual Festival Nacional de MPB.

Mais de cinco décadas depois, aquele festival criado em uma cidade ainda em formação chega, em 2026, à sua 50ª edição, consolidado como o principal evento cultural de Ilha Solteira e um dos mais tradicionais festivais dedicados à música popular brasileira.

Da sala de aula para o palco

O Festival nasceu em um contexto muito particular.

No início da década de1970, Ilha Solteira havia sido construída para abrigar trabalhadores e famílias envolvidos na implantação da Usina Hidrelétrica.

Pessoas provenientes de diferentes regiões do Brasil conviviam em uma cidade nova, onde também começavam a surgir atividades educacionais, esportivas e culturais.

Segundo registros históricos sobre o evento; uma das iniciativas educacionais daquele período era o Curso de Educação para Adultos.

A proposta saiu do papel em 1971.

O 1º Festival Estudantil da Música Brasileira de Ilha Solteira foi realizado nas instalações do Cine Brasil. Era o começo de uma história que atravessaria gerações.

De festival estudantil a evento nacional

A transformação começou rapidamente.

Já na segunda edição, em 1972, o Festival ampliou seu alcance com a abertura das incrições para participantes de outras localidades do país.

A iniciativa que havia começado como estudantil começava a assumir uma dimensão maior.

Em 1974, na terceira edição, o Festival foi incorporado às comemorações do aniversário de Ilha Solteira, fortalecendo uma relação que permaneceria nas décadas seguintes entre o evento e a própria identidade cultural da cidade.

Naquele ano, a composição vencedora foi “Guerra, guerra e nada mais“, de Mauro Antonio Alvarenga, de Ilha Solteira.

A Fundação Cultural preserva registros das primeiras edições, incluindo vencedores, fotografias, vídeos, livretos e outros materiais relacionados do Festival.

Um Festival que também precisou resistir

A trajetória não foi linear.

Entre 1980 e 1982, o Festival enfrentou um período de crise relacionado ao afastamento da administração da CESP de sua organização.

Registros históricos destacam a participação de empresários locais e da própria comunidade na continuidade da iniciativa.

Essa passagem é especialmente significativa para compreender o Festival.

Ele havia surgido em uma cidade diretamente ligada à construção da Usina e à administração da companhia energética.

À medida que Ilha Solteira precisava construir uma vida independente daquele grande empreendimento, suas manifestações culturais também precisavam encontrar formas próprias de permanecer.

O Festival sobreviveu a essa transformação.

Os palcos também contam essa história

Ao longo das décadas, o Festival ocupou diferentes espaços de Ilha Solteira.

Começou no Cine Brasil, passou pela Praia Catarina e, a partir de 1986, estabeleceu-se na Casa da Cultura, antigo Cine Ilha.

Em tempos mais recentes, passou a ocupar a arenda da Praça da Integração, no centro da cidade.

Essas mudanças fazem do próprio Festival um testemunha das transformações urbanas de Ilha Solteira.

Fotografias dos diferentes palcos, das plateias e das estruturas montadas ao longo das décadas não documentam somente um evento musical. Elas também registram como a cidade mudou.

Um palco para a música autoral brasileira

Uma das características que atravessou a história do Festival foi a valorização da composição autoral.

Compositores, intérpretes e músicos de diferentes regiões passaram por Ilha Solteira para apresentar trabalhos próprios, competir, trocar experiências e encontrar outros artistas.

Entre os nomes relacionados historicamente ás competições do Festival estão artistas e compositores como Renato Motha, Paulo Padilha, Rafael Altério, Paulo César Pinheiro, André Tiso, Zé Geraldo, Tato Fisher, Eudes Fraga, Bráulio Tavares, Nilson Chaves, Celso Viáfora, Jota Maranhão e Zé Alexandre, entre muitos outros.

O Festival também construiu um tradição de grandes shows.

Ao longo de sua trajetória, seus palcos receberam artistas como Almir Sater, Toquinho, Belchior, Zé Geraldo, Sá & Guarabyra, Boca Livre, MPB-4, Renato Teixeira, Zeca Baleiro, Guilherme Arantes, Oswaldo Montenegro, Chico César, Geraldo Azevedo, Sandra Sá, além de muitos outros representantes da música brasileira.

Mas a essência do evento nunca esteve apenas nos artistas consagrados convidados para os shows.

Está, principalmente, nas canções inéditas e nos artistas que sobem ao palco para competir.

Muito além de quem aparece no palco

Há outra história do Festival que nem sempre aparece nas fotografias oficiais.

Durante cada edição, dezenas de pessoas trabalham para que as apresentações aconteçam: integrantes das comissões organizadoras, músicos da banda de apoio, técnicos de áudio e iluminação, eletricistas, montadores, assistentes de palco, produtores, motoristas, responsáveis pelos camarins, jurados, fotógrafos, jornalistas e muitos outros profissionais.

Ao longo de cinco décadas, essas equipes também construíram o Festival.

E existe ainda um personagem indispensável: o público.

Gerações de moradores cresceram acompanhando as eliminatórias, formando torcidas, discutindo as músicas favoritas e eperando pelo anúncio dos vencedores.

Registros históricos apontam que, nas primeiras décadas, as torcidas organizadas e suas faixas já faziam parte da atmosfera característica do evento.

Cinquenta edições, muitas gerações

O Festival que chega à 50ª edição é muito diferente daquele realizado no Cine Brasil em 1971.

A cidade mudou.

Os palcos mudaram.

As tecnologias mudaram.

Mudaram os organizadores, músicos, jurados e espectadores.

Mas permaneceu algo fundamental: a oportunidade de uma canção inédita encontrar um palco e um público.

E talvez seja justamente isso que explique a permanência do Festival.

Ele nasceu praticamente junto com Ilha Solteira e acompanhou a transformação de um núcleo criado em torno de uma grande obra de engenharia em uma cidade que passou a construir também sua própria identidade.

Por isso, preserrvar a história do Festival Nacional de MPB é também preservar parte da história de Ilha Solteira.

Cartazes, regulamentos, troféus, fotografias, gravações, fitas, programas, recortes de jornais, partituras e lembranças guardadas por participantes e moradores ajudam a contar uma história que não pertence apenas aos vencedores.

Pertence também a quem compôs e não venceu.

A quem tocou na banda, quem montou o palco, quem trabalhou nos bastidores, quem fez uma faixa para a torcida, quem fotografou, quem cobriu o evento.

E a quem, sentado na plateia, ouviu uma música pela primeira vez.

Em 1971 começava um festival. Cinco décadas depois, Ilha Solteira continua cantando essa história.

Cidadão: a música que ganhou o Brasil depois de um encontro em Ilha Solteira

Em 1978, Zé Geraldo ainda estava consolidando sua carreira musical. Na época, conciliava a música com um emprego de executivo e participava, frequentemente, de festivais pelo país.

Naquele ano, ele chegou a Ilha Solteira para disputar a 7ª edição do Festival de MPB.

A música apresentada por Zé Geraldo foi:

“Promessas de um Idiota às Seis da Manhã”

E ela conquistou o primeiro lugar do Festival.

Foi justamente durante essa edição que aconteceu um econtro decisivo.

Zé Geraldo conheceu o compositor baiano Lúcio Barbosa.

E foi Lúcio quem lhe apresentou a música chamada:

Cidadão

A canção impressionou Zé Geraldo imediatamente.

Segundo relatos posteriores sobre aquele encontro, os dois passaram parte da noite mostrando composições um ao outro.

Em uma dessas rodas, em Ilha Solteira, Lúcio apresentou “Cidadão”. Zé Geraldo se emocionou com a música e pediu autorização para gravá-la.

É aí que Ilha Solteira entra diretamente na história de uma das canções brasileiras mas conhecidas das últimas décadas.

A música não é de Zé Geraldo

Esse é um esclarecimento importante.

Embora “Cidadão” tenha ficado profundamente associada à voz de Zé Geraldo, ele não é o compositor.

A autoria é de:

Lúcio Barbosa dos Santos, compositor baiano.

A música foi inspirada, segundo relatos atribuídos ao próprio Lúcio Barbosa, em seu tio Ulisses, que trabalhava como pedreiro.

A narrativa representa um trabalhador que participa da construção de prédios e outros espaços da cidade, mas depois é socialmente excluído justamente em lugares que ajudou a erguer.

Essa origem é fundamental para compreender a força da canção.

Não é apenas uma música fictícia.

Ela parte da experiência concreta de trabalhadores da construção civil.

O trabalhador que constrói, mas não pode entrar

A estrutura narrativa de “Cidadão” é poderosa porque acompanha um trabalhador olhando para aquilo que ajudou a construir.

Primeiro, um edifício.

Depois, uma escola.

Depois, uma igreja.

Em cada situação aparece a mesma contradição:

ele participou da construção, mas não usufrui plenamente daquilo que construiu.

A música aborda questões como:

  • migração
  • trabalho pesado
  • pobreza
  • preconceito
  • acesso à educação
  • moradia
  • desigualdade social
  • e reconhecimento do trabalhador

Um estudo acadêmico sobre a letra destaca justamente a representação da discriminação e da exclusão social, relacionando a música à situação de trabalhadores pobres e migrantes.

A ligação com o Nordeste

O personagem também carrega a experiência de quem deixou o Norte/Nordeste em busca de melhores condições de vida na cidade grande.

Isso era extremamente representativo do Brasil nas décadas de 1960 e 1970.

Milhões de brasileiros migraram para grandes centros urbanos e regiões de expansão econômica.

Muitos trabalhavam na construção civil.

Outros foram atraídos pelas grandes obras de infraestrutura.

E aqui surge uma coincidência histórica muito forte com Ilha Solteira.

“Cidadão” e os barrageiros

Embora “Cidadão” não tenha sido escrita sobre Ilha Solteira, é difícil não perceber como sua narrativa dialoga com a história local.

Ilha Solteira foi construída por milhares de trabalhadores: pedreiros, carpinteiros, armadores, eletricistas, operadores, motoristas, serventes, soldadores, engenheiros, técnicos.

Gente de várias partes do Brasil. Muitos desses trabalhadores participaram da construção de: casas, escolas, ruas, clubes, hospital, comércio, equipamentos públicos, e da própria usina.

Por isso, quando “Cidadão” fala sobre alguém que olha para uma construção e reconhece: “eu ajudei a fazer isso”, a música conversa de maneira quase inevitável com a memória dos barrageiros.

1979: “Cidadão” chega ao disco

Zé Geraldo gravou a música em seu primeiro álbum pela CBS: “Terceiro Mundo”, lançado em 1979.

O disco também trouxe “Promessas de um Idiota às Seis da Manhã”, justamente a canção com a qual ele havia vencido o Festival de Ilha Solteira no ano anterior.

Esse detalhe é fantástico.

No mesmo disco estavam:

a música que levou Zé Geraldo à vitória em Ilha Solteira

e

a música que ele conheceu por causa daquele encontro em Ilha Solteira.

É quase como se o Festival estivesse presente em dois momentos centrais daquele álbum.

Outro fato curioso é que, em 1979, o ano do lançamento desse disco, foi a vez de Lúcio Barbosa, o compositor de “Cidadão” vencer o Festival de MPB de Ilha Solteira com a música “Assim Disse o Profeta”, na 8ª edição.

O primeiro grande sucesso

“Cidadão” acabou se tornando o primeiro grande sucesso nacional de Zé Geraldo e uma das músicas mais associadas à sua carreira. O próprio artista já se referiu à canção como seu primeiro grande sucesso.

A partir dali, a carreira de Zé Geraldo ganharia projeção.

Vieram outros trabalhos e músicas conhecidas, como “Senhorita” e “Milho aos Pombos”.

Mas “Cidadão” permaneceu como uma espécie de assinatura musical.

Depois veio Zé Ramalho

Outra confução comum é acreditar que “Cidadão” seja de Zé Ramalho. Não é.

Zé Ramalho gravou, posteriormente, sua própria versão da música, décadas depois da gravação de Zé Geraldo.

Uma referência sobre a trajetória da obra aponta sua gravação no álbum Frevoador, de 1992.

Portanto, a sequência básica é:

Lúcio Barbosa
compositor
⬇️
1978 – Ilha Solteira
encontro com Zé Geraldo
⬇️
1979 – Zé Geraldo
grava “Cidadão” em Terceiro Mundo
⬇️
a música ganha projeção nacional
⬇️
1992 – Zé Ramalho
faz sua própria gravação

Mas “Cidadão”concorreu no Festival?

Durante a edição de 1978, Zé Geraldo conheceu o compositor Lúcio Barbosa, segundo colocado na 7ª edição do Festival.

Há relatos divergentes sobre se “Cidadão” foi justamente a obra apresentada por Lúcio naquela competição.

Em entrevista posterior, o próprio Zé Geraldo afirmou que a música ficou em segundo lugar.

O Muvis busca documentação original da edição para confirmar esse detalhe.

Uma praça de Ilha Solteira pode ter sido o cenário desse encontro

Um detalhe curioso sobre a história da música afirma que Zé Geraldo e Lúcio Barbosa passaram a noite comemorando e tocando músicas e que “Cidadão” teria sido apresentada a Zé Geraldo em uma praça de Ilha Solteira.

O episódio também demosntra a importãncia dos festivais para compositores independentes.

Zé Geraldo chegou para competir. Lúcio Barbosa também. Um venceu. O outro terminou em segundo lugar.

Mas o resultado mais duradouro talvez tenha acontecido fora do palco.

Eles se conheceram. Trocaram músicas. Uma composição encontrou um intérprete. E aquela música ganhou o Brasil.

Isso permite dizer algo muito bonito sobre o Festival: Nem toda música importante do Festival venceu o Festival.

Às vezes, a maior consequência acontece nos bastidores.

A música que Zé Geraldo encontrou em Ilha Solteira

Em 1978, Zé Geraldo venceu o 7º Festival de MPB de Ilha Solteira com “Promessas de um Idiota às Seis da Manhã”. Durante o evento, conheceu o compositor baiano Lúcio Barbosa, que lhe apresentou “Cidadão”. Impressionado com a canção, Zé Geraldo pediu autorização para gravá-la. A música entrou em seu primeiro álbum pela CBS, Terceiro Mundo, de 1979, e se tornou seu primeiro grande sucesso nacional.

Uma das músicas mais conhecidas da carreira de Zé Geraldo chegou até ele em Ilha Solteira

Galeria dos Campeões

EdiçãoAnoVencedor/CidadeMúsica
MPB 1971Célia Santos, Ilha Solteira-SPDA CORA DA BAHIA
MPB 1972Carlinhos Durão, Ilha Solteira-SPPASSAGEM
MPB 1974Mauro Alvarenga, Ilha Solteira-SPGUERRA, GUERRA E NADA MAIS
MPB 1975Antônio Salvador Toledo, São Paulo-SPVIANDEIROS
MPB 1976Antônio Salvador Toledo, São Paulo-SPHOJE EU VIM VER VOCÊ
MPB 1977Elisete Alberghini (Susy), Ilha Solteira-SPSAMBA
MPB 1978Zé Geraldo, São Paulo-SPPROMESSAS DE UM IDIOTA ÀS SEIS DA MANHÃ
MPB 1979Lúcio Barbosa, São Paulo-SPASSIM DISSE O PROFETA
MPB 1983Ademir Leôncio, Três Lagoas-MSGRITO
10ºMPB 1984Richardson Hermeto, Cruzília-MGFACE OCULTA
11ºMPB 1985Leninha, Ilha Solteira-SPCORAÇÃO MUSICAL
12ºMPB 1986Teleu e Sanvita, Jacarezinho-PRSENTIMENTO DE CANTOR
13ºMPB 1987Telma Silvie, Presidente Prudente-SPSEMPRE SÓ
14ºMPB 1988Beto Santos, São Paulo-SPSOS MOÇAMBIQUE
15ºMPB 1989Carlota Marques, Rio de Janeiro-RJLEILÃO
16ºMPB 1990Edílson Dio, Salvador-BATREM CARIBE
17ºMPB 1991Luanda e Irinéia Márcia, Rio de Janeiro-RJMEIAS PARTES
18ºMPB 1992Eudes Fraga, Rio de Janeiro-RJALFORRIA
19ºMPB 1993Rafael Altério, Itapetininga-SPATÉ QUANDO DEUS QUISER
20ºMPB 1994Lira, Santo André-SPSOLFEJO AO AFÃ
21ºMPB 1995Beto Santos e Diná Nascimento, São Paulo-SPMISTÉRIOS DA FÉ
22ºMPB 1996João Correia, Rio de Janeiro-RJLEMBRANÇAS
23ºMPB 1997Vercesi, Rio de Janeiro-RJBARCO BRASILEIRO
24ºMPB 1998Jota Maranhão, Rio de Janeiro-RJFLOR DE MANACÁ
25ºMPB 1999Grupo Tarumã, São Paulo-SPCORAÇÃO DE CANTADOR
26ºMPB 2000Renato Motha, Belo Horizonte-SPTODO
27ºMPB 2001Eudes Fraga, Rio de Janeiro-RJNA CONTRAMÃO
28ºMPB 2002Zé Alexandre, Rio de Janeiro-RJME JOGA NA PAREDE ME CHAMA DE LAGARTIXA
29ºMPB 2003Grupo Tarumã, São Paulo-SPPALAVRIÁ
30ºMPB 2004Dimi Zumquê, Ribeirão Preto-SP1, 2, E…
31ºMPB 2005Márcio Coelho e Ana Favareto, Ribeirão Preto-SPAMOR AUDAZ
32ºMPB 2006Eduardo Santhana, Santana do Parnaíba-SPMILAGREIRO
33ºMPB 2007Grupo Voz, Santa Maria-RSMIRA
34ºMPB 2008Grupo Voz, Santa Maria-RSGIROU FEBRIL
35ºMPB 2009Hugo César Cintra, Ilha Solteira-SPA VELHA BARRAGEIRA
36ºMPB 2010Dandara, São Paulo-SPPIRATARIA
37ºMPB 2011Thiago Augusto, São Paulo-SPMOTOR
38ºMPB 2012Márcio Pazin e Carol Pereyr, Chapecó-SCQUADRO INVISÍVEL
39ºMPB 2013Paulo Monarco e Dandara, SPCONTENTEZA
40ºMPB 2014Bilora, MGNA CONTRAMÃO
41ºMPB 2015Berço, MGLEOA
42ºMPB 2016Bruna Moraes e Thiago K, São Paulo-SPTÁ…
43ºMPB 2017Zeca Barreto, SPRODOPIOU
44ºMPB 2018Isabela Moraes e Thiago K, SPDO LADO DE DENTRO
45ºMPB 2019Bruna Moraes e Felipe Lucena, SPDHARMA
46ºMPB 2021Pássaro Vivo, Patos de Minas-MGO PRESENTE
47ºMPB 2022Duo Aduar, São João Del Rei-MGCÓRGO DO MEIO
48ºMPB 2024Thiago K e Bruna Moraes, São Paulo-SPA CORRENTE DAS MARÉS
49ºMPB 2025Elis Angelotte, São José do Rio Preto-SPENSOLARADA
50ºMPB 2026

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