Explore acontecimentos que marcaram a construção, o desenvolvimento e a história de Ilha Solteira.
Uma história em permanente construção – Esta Linha do Tempo reúne acontecimentos identificados a partir de documentos, fontes oficiais, pesquisas e relatos sobre Ilha Solteira. Novas informações e registros serão incorporados continuamente.
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A história de Bela Floresta é uma daquelas partes pouco conhecidas - e fundamentais - da formação de Ilha Solteira. Juridicamente, Ilha Solteira só conseguiu chegar à emancipação porque antes passou a ocupar a sede de um distrito que já existia, oficialmente desde 1944: o Distrito de Bela Floresta.

Estudos da Comissão Interestadual da Bacia Paraná-Uruguai/Paraguai (CIBPU) apontavam o potencial energético da região e previam os aproveitamentos que dariam origem às usinas de Jupiá e Ilha Solteira.

A Centrais Elétricas de Urubupungá (CELUSA) foi criada após autorização para o aproveitamento do potencial hidrelétrico dado pelo governo federal ao governo paulista em maio de 1957, determinando que se constituísse uma companhia de economia mista.

A construção da UHE foi iniciada pela CELUSA. Trabalhos preparatórios do terreno ocorreram entre 1965 e 1966, antes da grande fase de concretagem. O núcleo urbano e a usina foram construídos pelas mesmas empresas: a construtora foi a Camargo Corrêa e a projetista a Themag, ambas sob contratação e coordenação da estatal CELUSA e, posteriormente, da CESP.

O Plano Urbano I foi encomendado pela CELUSA para o núcleo urbano de Ilha Solteira e realizado pela empresa Planemark, sob responsabilidade do engenheiro Ernest Robert de Carvalho Mange e do arquiteto Ariaki Kato. Foi concebido em 1967 e publicado em dois volumes. O projeto estabeleceu a organização espacial da futura cidade e sua relação com a administração da empresa.

Enquanto avançavam as estruturas da usina, era implantado o núcleo urbano permanente destinado aos trabalhadores e suas famílias. Ilha Solteira tornou-se uma experiência singular entre os núcleos residenciais ligados às grandes obras da CESP.

Em reunião realizada em 9 de outubro de 1968, a Diretoria da CESP criou a Administração Especial para Ilha Solteira (AEIS), responsável por planejar, coordenar, executar, controlar e avaliar as atividades necessárias à implantação e administração da cidade, de acordo com as diretrizes da empresa.

A chegada das primeiras famílias é considerada o marco fundador da cidade e deu origem à comemoração do aniversário de Ilha Solteira. O núcleo já possuía mais de 500 casas e infraestrutura básica quando recebeu seus primeiros habitantes. Dirço foi o primeiro morador.

O Governo do Estado de São Paulo oficializou o regime de administração especial de Ilha Solteira, consolidando juridicamente a estrutura administrativa montada para o núcleo. O Decreto nº 51.352 foi assinado pelo governador Roberto Costa de Abreu Sodré.

Convênio firmado por meio da Lei Municipal nº 812 delegou à Administração Especial atribuições municipais dentro da área da CESP, envolvendo serviços, tributação, urbanismo, edificações e alvarás.

Foi estabelecida a peculiar nomenclatura urbana: Em outubro de 1970, a nomenclatura das vias e logradouros da cidade foi estabelecida de acordo com o mapa do Brasil, onde cada alameda corresponde ao nome de um Estado e cada quadra, chamada de "passeio" recebeu o nome de uma cidade do Estado a que se refere a alameda. Essa organização permanece como uma das características mais marcantes de Ilha Solteira.

Foi realizada a primeira edição do então Festival Estudantil da Música Brasileira de Ilha Solteira. A iniciativa surgida no ambiente cultural da jovem cidade se transformaria no atual Festival Nacional de MPB de Ilha Solteira, que em 2026 chega à 50ª edição.

Uma das fases decisivas da construção da hidrelétrica foi marcada pelo desvio das águas para as estruturas da tomada d'água e casa de força. O feito permitiu avançar para a fase de enchimento do reservatório.

A primeira turbina da UHE Ilha Solteira começou a funcionar, marcando o início efetivo da geração de energia da usina que havia motivado a construção de toda a cidade.

A hidrelétrica foi oficialmente inaugurada já com 5 unidades em operação. À época, constituía um dos maiores empreendimentos hidrelétricos do mundo.

Na terceira edição, o Festival de MPB foi, definitivamente, incorporado às comemorações do aniversário de Ilha Solteira e começou a consolidar-se como uma das principais tradições culturais locais.

A Lei Estadual nº 952 criou a Universidade Estadual Paulista e previu um campus em Ilha Solteira. A Faculdade de Engenharia foi a única unidade definitivamente criada juntamente com a nova Universidade, aproveitando parte da infraestrutura da CESP.

A Faculdade de Engenharia iniciou suas atividades acadêmicas em 11 de abril de 1977 com os cursos de Engenharia Civil, Engenharia Elétrica e Engenharia Mecânica.

Decreto estadual nº 10.230 aprovou, formalmente, o Plano Piloto do Campus Universitário de Ilha Solteira e estabeleceu a cooperação entre CESP e Unesp para sua implantação.

A implantação da usina chegou à configuração prevista com 20 turbinas e aproximadamente 3.230 MW de potência instalada, encerrando o grande ciclo construtivo iniciado na década anterior.

A Resolução nº 9 autorizou o funcionamento do curso de Agronomia em Ilha Solteira, ampliando o perfil acadêmico do campus para além das três engenharias originais.

Terras remanescentes dos canteiros da construção da UHE foram destinadas à implantação do assentamento rural Cinturão Verde, inicialmente estruturado em lotes para famílias com tradição agrícola. O projeto reúne 76 lotes de 5, 7,5 e 10 hectares.

A sede do Distrito de Bela Floresta é transferida para o povoado de Ilha Solteira, mantendo esta denominação, pela Lei Municipal nº 1.633, de 8 de maio de 1989, do município de Pereira Barreto.

A comunidade universitária elegeu Nelson de Araújo e Luiz de Souza Corrêa como primeiros diretor e vice-diretor escolhidos no campus de Ilha Solteira.

O Poder Judiciário passa a atuar localmente por meio da Vara Distrital de Ilha Solteira - instalada pela Lei 6.166/1988 - pertencente ao Foro da Comarca de Pereira Barreto. Para o funcionamento provisório da Vara Distrital, foi cedido pela Unesp, pelo período de um ano, o "Edifício do Centro Cultural", localizado na Praça dos Paiaguás. Contudo, apesar do caráter provisório, a Vara Distrital se manteve no "antigo cinema" por 6 anos.

Moradores de Bela Floresta chegaram a organizar um abaixo-assinado pedindo que a comunidade permanecesse pertencendo a Pereira Barreto. As negociações resultaram em um rearranjo territorial: a sede distrital e a área necessária à formação do futuro município seguiram com Ilha Solteira, enquanto a comunidade original de Bela Floresta permaneceu ligada a Pereira Barreto.
Nesse processo. Três Irmãos permaneceu com Pereira Barreto, enquanto Ilha Solteira teria recebido aproximadamente 61 km² adicionais em outra área da nova delimitação territorial.

A Lei Estadual nº 7.664 criou o Município de Ilha Solteira, desmembrando-se de Pereira Barreto. O ato foi resultado de mobilização local pela autonomia político-administrativa.

A atual Etec de Ilha Solteira passou a integrar o Centro Paula Souza em 1994. O decreto que estabeleceu a integração é de 27 de outubro de 1993.

A Lei Estadual nº 10.536 transformou oficialmente o município em Estância Turística, reconhecendo seu potencial turístico e permitindo acesso às políticas estaduais destinadas às estâncias.

O município recebeu a denominação de "Ilha Capital da Cultura", por meio do Decreto Municipal nº 2.241, reconhecimento relacionado à intensa atividade cultural desenvolvida na cidade.

A antiga Vara Distrital foi elevada à condição de Comarca e o Fórum recebeu a denominação "Desembargador João Del Nero", ampliando a autonomia da estrutura judiciária local.

O processo local começou em 2014, com cessão de estrutura municipal e oferta das primeiras vagas em curso de extensão. Em 21 de janeiro de 2015, portaria ministerial autorizou formalmente o funcionamento do Campus Avançado Ilha Solteira do IFSP.

Em 10 de março de 2026, o Governo do Estado oficializou a criação da Fatec Ilha Solteira, com o Decreto nº 70.431.

O Museu Virtual de Ilha Solteira também preserva o presente para as próximas gerações.
Fontes e referências: